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Carlos Nazareth, diretor do Instituto Nacional de Telecomunicações - Inatel durante o evento HackTown (Foto: Divulgação/Inatel) |
Revolução da IA Requer Capacitação e Parcerias: O Futuro da Formação Profissional no Brasil
A inteligência artificial (IA) não é mais uma promessa distante — ela já está transformando indústrias, redefinindo carreiras e exigindo novas habilidades. Mas como o Brasil pode se preparar para essa revolução? Segundo o professor Carlos Nazareth, diretor do Inatel, a resposta está em dois pilares: capacitação prática e parcerias estratégicas. Em entrevista exclusiva durante o HackTown 2025, ele destacou que a "Revolução da IA requer capacitação e parcerias" para superar o chamado "analfabetismo digital".
O Desafio do Analfabetismo Digital na Era da IA
Nazareth não poupou críticas ao cenário atual da educação em STEM (Ciência, Tecnência, Engenharia e Matemática). Enquanto países asiáticos e europeus têm mais de 20% de seus estudantes nessas áreas, o Brasil patina em míseros 6%. "Precisamos formar profissionais que não apenas usem ferramentas de IA, mas que as entendam profundamente", afirmou. Essa visão ecoa os dados da Brasscom: em 2025, o setor de TIC criará 147 mil vagas, mas faltarão 30% de profissionais qualificados.
O diretor do Inatel foi enfático: cursos rápidos e superficiais não resolvem o problema. "A IA pode gerar código, mas não otimiza soluções complexas sem um humano crítico por trás". Sua proposta? Graduações que combinem:
- Base teórica sólida em matemática e lógica
- Projetos reais desde o primeiro semestre
- Parcerias com empresas para problemas do mundo real
Como as Instituições de Ensino Podem se Adaptar
A Revolução da IA requer capacitação e parcerias não apenas no discurso, mas na prática. O modelo do Inatel, citado por Nazareth, inclui laboratórios com equipamentos de ponta (como redes 6G e IoT) e convênios com 200 empresas. "Nossos alunos desenvolvem patentes antes de se formar", orgulha-se. Para outras instituições, ele sugere:
- Atualizar grades curriculares com disciplinas de ética em IA e modelagem neural
- Criar hubs de inovação que conectem startups, universidades e indústria
- Incentivar a pesquisa aplicada com bolsas vinculadas a desafios empresariais
Um exemplo prático? Alunos do Inatel recentemente desenvolveram um sistema de IA para prever falhas em linhas de transmissão, reduzindo custos para concessionárias de energia.
O Papel das Empresas na Formação de Talentos
Nazareth foi categórico: "As companhias não podem esperar profissionais prontos — precisam ajudar a moldá-los". Parcerias como as da Huawei e Siemens com o Inatel mostram resultados: 94% dos egressos empregados em 6 meses. Ele detalha três ações essenciais para empresas:
- Oferecer estágios técnicos profundos, não apenas tarefas operacionais
- Disponibilizar bancos de dados reais para treinamento de modelos de IA
- Patrocinar maratonas tecnológicas com problemas genuínos do setor
Um case de sucesso: uma multinacional de telecomunicações reduziu seu tempo de recrutamento pela metade após criar um programa de residência em IA com o Inatel.
Preparando-se para a IA dos Próximos 20 Anos
Quando Nazareth afirma que a Revolução da IA requer capacitação e parcerias, ele pensa além das tecnologias atuais. "ChatGPT é só o começo. Precisamos entender os modelos neurais quânticos que virão". Para profissionais em atividade, ele recomenda:
- Dominar matemática avançada (álgebra linear, cálculo tensorial)
- Aprender otimização de algoritmos, não apenas frameworks de IA
- Desenvolver visão sistêmica para integrar IA a processos industriais
Um dado alarmante: 68% dos cursos de IA no Brasil focam apenas em bibliotecas como TensorFlow, sem ensinar os princípios por trás dos modelos — uma lacuna perigosa diante da rápida evolução tecnológica.
Estratégias Pessoais para se Tornar um Profissional de IA Relevante
Além da formação acadêmica, Nazareth destaca hábitos para se manter competitivo:
- Leitura técnica diária: Dedique 30 minutos a artigos no arXiv.org
- Portfólio prático: Publique no GitHub projetos que resolvam problemas reais
- Networking especializado: Participe de capítulos da IEEE ou ACM
Ele cita o exemplo de um ex-aluno que, ao documentar no Medium seu processo de treinar um modelo eficiente com poucos dados, foi recrutado por uma big tech.
Perguntas para Reflexão
Como sua empresa ou instituição de ensino está se preparando para a Revolução da IA que requer capacitação e parcerias? Quais habilidades você considera mais urgentes para desenvolver? Compartilhe nos comentários!
FAQ: Revolução da IA e Formação Profissional
1. Cursos online são suficientes para trabalhar com IA?
Nazareth reconhece seu valor como complemento, mas alerta: falta a prática em problemas complexos e o networking essencial para a carreira.
2. Qual o erro mais comum ao aprender IA?
"Pular a base matemática. Sem entender álgebra linear, você será limitado a ajustar parâmetros, não a criar soluções inovadoras."
3. Como pequenas empresas podem participar?
"Oferecendo desafios reais para alunos resolverem, mesmo que em escala reduzida. Muitas inovações surgem dessas colaborações."
4. Áreas além da TI serão impactadas?
"Totalmente. Na saúde, agricultura e até direito, profissionais que souberem integrar IA terão vantagem competitiva."